Reserva Ovariana

A reserva ovariana representa a quantidade de folículos (estruturas que contêm os óvulos) presentes nos ovários e é um importante marcador da fertilidade.

Todos os folículos são produzidos ainda durante a vida intrauterina. Após o nascimento, não há produção de folículos e ocorre uma perda progressiva da fertilidade. Quando essa reserva acaba, a mulher deixa de ser fértil e entra na menopausa.

Dra Claudiani Branco fala sobre a Reserva Ovariana

Com o passar do tempo, os óvulos liberados pelos folículos também perdem qualidade, diminuindo as chances de gravidez e aumentando determinados riscos, como o desenvolvimento de alterações genéticas.

A idade de 35 anos é um marco importante na vida da mulher. É a idade em que a fertilidade começa a diminuir mais intensamente e as chances de uma gravidez natural tornam-se menores. Caso a mulher queira preservar a fertilidade, é importante procurar uma clínica de reprodução assistida para que possa congelar os óvulos, enquanto ainda é jovem, para uso em ciclo de fertilização in vitro (FIV) posteriormente.

Como é feita a avaliação da reserva ovariana

Existem diversos exames com o objetivo de avaliar a reserva ovariana. Os principais são a ultrassonografia transvaginal para contagem de folículos antrais (CFA) e as dosagens hormonais de FSH, LH, estradiol, progesterona e do hormônio antimülleriano (AMH).

Esses exames estimam os parâmetros de fertilidade feminina e oferecem dados importantes para a conduta terapêutica, quando o casal apresenta dificuldade para engravidar. Com a análise desses resultados, é possível estimar a resposta da paciente à estimulação ovariana e propor a melhor forma de tratamento para a infertilidade.

Ultrassonografia para contagem de folículos antrais

A ultrassonografia transvaginal é um dos exames mais indicados para a avaliação dos órgãos pélvicos e pode ser utilizada para realizar a contagem de folículos antrais nos ovários.

O termo “antral” designa um estágio de desenvolvimento inicial do folículo (entre 2 mm e 10 mm de diâmetro) que pode conter um óvulo imaturo, mas com capacidade de se desenvolver e amadurecer. Apenas o óvulo maduro pode ser fertilizado pelo espermatozoide. No ciclo natural, apenas um folículo se desenvolve para gerar um único óvulo.

Durante toda a vida, a mulher produz cerca de 400 folículos ovulatórios. Assim, a contagem desse tipo de folículo no ovário revela a reserva ovariana.

Na avaliação por ultrassonografia, também é verificado o volume ovariano, que diminui com o passar do tempo, em virtude da diminuição da reserva ovariana. Com isso, o potencial reprodutivo da mulher também diminui. Se o volume for inferior a 3 cm3, a mulher pode ter dificuldade para engravidar.

No exame, o número de folículos antrais será proporcional à capacidade reprodutiva da mulher. Quanto maior o número de folículos presentes, maior a fertilidade.

A contagem de folículos antrais está muito relacionada à idade da mulher. De modo geral, com o passar dos anos, a quantidade de folículos antrais diminui. Contudo, em casos excepcionais, há mulheres mais velhas que possuem melhor reserva ovariana do que as jovens. Entretanto, a qualidade desses óvulos é pior.

Também é possível associar a baixa reserva ovariana a tratamentos oncológicos. O tratamento para o câncer afeta diretamente os gametas femininos, aumentando a degeneração e reduzindo a qualidade deles.

A contagem de folículos antrais é feita durante o exame de ultrassonografia transvaginal.

Dosagens hormonais

As dosagens hormonais fornecem dados importantes sobre a função ovariana e sobre os parâmetros da fertilidade feminina. O FSH, o LH e o estradiol são hormônios que exercem funções vitais durante o ciclo menstrual e, quando em desequilíbrio, podem reduzir as chances de gravidez. Essa pesquisa hormonal é feita no sangue.

Os níveis de FSH aumentam conforme a mulher se aproxima da menopausa. Portanto, ele é um marcador efetivo da baixa reserva ovariana e, consequentemente, da baixa resposta à estimulação ovariana na FIV. Quanto mais altos forem os níveis de FSH, menor será a possibilidade de sucesso em técnicas de reprodução assistida. Contudo, embora o FSH indique uma baixa reserva ovariana, ele não é um marcador da qualidade dos óvulos. Dessa forma, em alguns casos, mesmo que a reserva ovariana seja baixa, a gravidez é possível.

Os níveis de LH também podem ser marcadores da reserva ovariana. Níveis elevados de LH podem indicar insuficiência dos ovários. Se os níveis de LH forem abaixo do normal, a mulher pode apresentar quadro de anovulação.

O estradiol também auxilia na avaliação da reserva ovariana. Quando em níveis abaixo do normal, pode ser marcador de baixa resposta ovariana, ainda que os níveis de FSH estejam normais.

Hormônio antimülleriano

O hormônio antimülleriano (AMH) é uma glicoproteína produzida pelas células da granulosa que estão presentes nos folículos, principalmente nos pré-antrais e antrais. Se a reserva ovariana for baixa, os níveis de AMH serão baixos. Se houver ainda uma boa reserva ovariana, os níveis de AMH serão altos.

O AMH é detectado durante e após a puberdade, quando a capacidade reprodutiva da mulher está completa. Antes dessa idade ele é indetectável.

Esse também não é um exame com poder preditivo absoluto. Existem diversos fatores que interferem na reserva ovariana e nos níveis hormonais. A análise conjunta dos exames hormonais deve ser considerada para efetuar o diagnóstico. Em alguns casos, níveis altos de AMH não asseguram boa reserva ovariana.

Reserva ovariana e reprodução assistida

A reserva ovariana é fundamental para a reprodução assistida. Baixa reserva indica má resposta aos tratamentos de fertilidade, enquanto boa reserva indica grande chance de sucesso.

A avaliação da reserva ovariana, por essa razão, é um procedimento obrigatório antes do início da reprodução assistida, como forma de prever o prognóstico do tratamento.

Embora existam diversos exames para a avaliação da reserva ovariana, eles não são preditores absolutos de sucesso ou insucesso do tratamento. Não há um exame que seja totalmente confiável. Existe uma combinação de fatores que podem interferir no prognóstico. A análise deve ser ampla.

A avaliação de um especialista é indispensável para a correta interpretação dos dados e orientação da melhor conduta para alcançar a gravidez.

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ESTREPTOCOCOS B – Exame do Cotonete na Gravidez

O Estreptococo do grupo B (Streptococcus agalactiae) é uma bactéria comum, presente na região genital de 1 em cada 3 mulheres grávidas. O Streptococcus agalactiae é normalmente inofensivo em adultos e em indivíduos saudáveis, porém, pode causar doença grave em bebês e pessoas com sistema imunológico comprometido, incluindo nestes grupos pessoas com diabetes grave, câncer e problemas do fígado.

Dra Claudiani fala sobre o perigo para bebês do Streptococos B. Foto: CDC no Unsplash.

Apesar de ser encontrado habitualmente na região genital feminina, o Estreptococo do grupo B não é uma DST, ou seja, não é uma bactéria transmitida pela via sexual. A maioria das mulheres com a região vaginal colonizada foi contaminada por Estreptococos que vieram dos seu próprio intestino ou da região retal.

Nos recém-nascidos, a infecção pelo Streptococcus agalactiae pode ocorrer ainda dentro do útero, por invasão do líquido amniótico, conhecido popularmente como bolsa d’água, ou somente na hora do parto, durante a passagem pelo canal vaginal. Esta última via é a mais comum.

O Estreptococos B é diferente das outras espécies de Estreptococos que habitualmente provocam doenças, como pneumonia, meningite, amigdalite, escarlatina, impetigo etc.

INFECÇÃO PELO ESTREPTOCOCOS DO GRUPO B DURANTE A GRAVIDEZ

A infecção pelo Streptococcus agalactiae durante a gravidez está associada a uma variedade de potenciais riscos, tanto para a mãe quanto para o bebê.

Infecção urinária por Streptococcus agalactiae

Entre 10% a 30% das grávidas apresentam colonização da urina pela bactéria Streptococcus agalactiae. Em algumas destas gestantes, a bactéria provoca infecção da bexiga, conhecida como cistite, ou pielonefrite, que é a infecção dos rins. A maioria das pacientes, porém, não apresenta infecção urinária, apenas colonização da urina pelo Estreptococos do grupo B.

O problema é que a bacteriúria assintomática, nome dado à simples presença da bactéria na urina sem sinais ou sintomas de infecção urinária, é um grande fator de risco para complicações na gestação, tais como, parto prematuro, aborto e contaminação do líquido aminótico.

Infecção do líquido aminótico pelo Streptococcus agalactiae

A infecção da bolsa d’água, chamada de corioamnionite, é uma invasão bacteriana do líquido amniótico, membranas fetais ou placenta. Os sinais e sintomas da corioamnionite incluem febre, dor no útero, aumento da frequência cardíaca fetal e presença de pus no líquido aminótico.

A infecção do líquido amniótico ocorre geralmente durante a rotura da bolsa no início do trabalho de parto em mulheres colonizadas pelo Estreptococos B. Trabalhos de parto prolongados, com várias horas de duração, ou casos de roturas prematuras da bolsa, são aqueles com maior risco. Todavia, a corioamnionite pode surgir antes da rotura da bolsa d’água, como nos casos de grávidas com infecção urinária, principalmente pielonefrite.

Infecção do útero pelo Streptococcus agalactiae

A infecção da parede do útero, chamada de endometrite, é uma complicação que pode ocorrer após o parto das gestantes contaminadas pelo Estreptococos do grupo B. Dor abdominal, febre e sangramento uterino são sinais e sintomas que sugerem uma infecção no período pós-parto.

INFECÇÃO DO RECÉM-NASCIDO PELO ESTREPTOCOCOS DO GRUPO B

Apesar dos riscos da mãe desenvolver complicações pelo Streptococcus agalactiae, a grande preocupação é sempre a contaminação do bebê durante o parto. A transmissão da bactéria se dá habitualmente após a rotura da bolsa ou durante a passagem do bebê pelo canal vaginal.

As complicações derivadas da infecção neonatal podem ocorrer precocemente, nas primeiras horas de vida do bebê, ou tardiamente, somente semanas depois do parto.

A infecção precoce do recém-nascido pelo Estreptococos do grupo B é aquela que ocorre dentro dos primeiros 7 dias de vida, habitualmente dentro das primeiras 24 horas, e se manifesta como um quadro de pneumonia, meningite ou sepse sem ponto de partida definido.

Febre, dificuldade para mamar e dificuldade respiratória são os sintomas mais frequentes neste tipo de infecção. Crise convulsiva, fraqueza ou rigidez muscular também podem ocorrer. A mortalidade nos casos precoces é de cerca de 3% nos bebês nascidos com mais de 37 semanas e de 20% nos bebês prematuros.

A infecção tardia do recém-nascido pelo Estreptococos do grupo B é aquela que ocorre após a primeira semana de vida. Sepse e meningite são as apresentações mais comuns. A mortalidade nos casos tardios é de cerca de 2% nos bebês nascido com mais de 37 semanas e de 6% nos bebês prematuros.

É importante destacar que nem todo bebê nascido de mães colonizadas pelo Estreptococos do grupo B irá apresentar problemas. Na verdade, apenas 1 em cada 200 são infectados e desenvolvem doença.

DIAGNÓSTICO

Para impedir a infecção neonatal pelo Estreptococos do grupo B é importante que a bactéria seja identificada e tratada antes do trabalho de parto. Durante a gravidez, toda gestante é submetida a um exame de urocultura à procura de bactérias na urina. Se for identificada bacteriúria, ou seja, presença de bactérias na urina, o obstetra instituirá tratamento antibiótico adequado para eliminação delas.

Entre a 35ª e 37ª semanas de gestação os obstetras fazem habitualmente o exame do cotonete, que consiste na obtenção de material da vagina e do ânus com uma espécie de cotonete para pesquisar a presença do Estreptococos do grupo B.

Se o exame for positivo, significa que a mãe está colonizada. De forma imediata, porém, não há risco elevado nem para a mãe nem para o feto, pois a contaminação do bebê ocorre, na imensa maioria dos casos, somente no momento do parto. Estar colonizada pelo Streptococcus agalactiae significa apenas que será necessária a administração de antibiótico durante o parto para impedir a transmissão da bactéria para o feto.

O teste do cotonete só é feito no final da gravidez porque a colonização da vagina pelo Estreptococos B pode desaparecer sozinha ao longo da gestação. E mesmo que ele seja tratado no início da gravidez, a bactéria pode retornar ao longo dos meses. Além disso, excetuando-se os casos de infecção urinária, a grande maioria das mulheres colonizadas não apresenta complicações durante a gravidez. Por isso, se o exame de urina for negativo, ter a bactéria durante a gestação não acarreta maiores problemas. O importante mesmo é saber se o Estreptococos do grupo B está presente na hora do parto, e não meses antes.

A coleta do material vaginal e retal é indolor e o resultado fica pronto em 2 ou 3 dias. Não é recomendado banho ou higiene íntima antes da coleta.

TRATAMENTO

Toda mulher com teste do cotonete positivo deve ser tratada com antibióticos no momento do parto. Sem antibióticos, cerca de 1 em cada 200 bebês fica doente com o Streptococcus agalactiae. Com o uso de antibióticos, a incidência cai para 1 em cada 4000 recém-nascidos, tornando, atualmente, a infecção neonatal pelo Estreptococos do grupo B um evento raro.

O antibiótico é administrado por via venosa durante o trabalho de parto. Os dois mais usados são a penicilina ou a ampicilina, que devem ser administradas a cada 4 horas até o nascimento do bebê.

O tratamento com antibióticos não precisa ser feito se o parto for cesariano e não houver rompimento da bolsa d’água. Neste caso, não há risco das bactérias presentes no canal vaginal chegarem até o bebê. Entretanto, se a bolsa romper antes da cesariana ser iniciada, a administração de antibiótico está indicada.

Tanto a ampicilina quanto a penicilina são antibióticos seguros para o bebê. E se você tem mais dúvidas a respeito de diagnóstico, tratamento ou qualquer assunto que envolva uma gravidez segura para você e seu bebê, fale comigo através dos canais abaixo:

O que é o EXAME NIPT e para que serve?

Dra Claudiani Branco Ginecologista e Obstetra explica o exame NIPT

NIPT

O NIPT é um exame de sangue simples que serve para avaliar possíveis alterações cromossômicas do feto, como a síndrome de Down, síndrome de Edwards, síndrome de Patau e as alterações dos cromossomos sexuais: síndrome de Turner, síndrome de Klinefelter. O exame diferencia o DNA fetal e materno e possibilita vantagens clínicas exclusivas, oferecendo qualidade e precisão no resultado.

PARA QUEM O NIPT É RECOMENDADO?

O exame de NIPT é recomendado para mulheres grávidas acima dos 35 anos; gestantes com histórico de gravidez afetada com aneuploidia; gestações em que o pai ou a mãe tenham translocação robertsoniana e pacientes com triagem sérica positiva no primeiro ou segundo trimestre de gestação.

COMO FUNCIONA O EXAME?

O exame é feito por meio de coleta de sangue intravenoso. 

PRÉ-REQUISITOS

A coleta deve ser feita a partir de 9 semanas de gestação (não pode ser realizada antes) e a coleta é recomendada para mulheres acima dos 35 anos, conforme solicitação médica.

PREPARO PARA O PRÉ-NATAL

Recomenda-se que o pré-natal seja feito assim que a gestação for confirmada. Cada exame deverá ser determinado por um médico que saberá quais exames solicitar correspondente a cada fase da gestação.

TEMPO DE DURAÇÃO

O exame consiste em uma coleta de sangue e o tempo de duração varia de 5 a 10 minutos.

PERIODICIDADE DO EXAME

A periodicidade do exame deve ser definida por um obstetra, que poderá solicitar o exame dependendo de cada caso.

QUANDO FAZER O EXAME NIPT?

O exame deve ser coletado após 9 semanas de gestação, pois antes disso a fração fetal é baixa e poderá ser solicitada uma recoleta.

QUAIS DOENÇAS O NIPT DETECTA?

As doenças que o NIPT detecta são:

  • Trissomia do cromossomo 21 (síndrome de Down);
  • Trissomia do 18 (síndrome de Edwards);
  • Trissomia do 13 (síndrome de Patau);
  • Alterações dos cromossomos sexuais: monossomia do X (síndrome de Turner), XXY (síndrome de Klinefelter), XXX e XYY.

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Como você está? Como está sua saúde mental?

Já parou para pensar no assunto? Alguma vez refletiu se os seus pensamentos, ideias e sentimentos estão em harmonia? Sabe a diferença entre saúde mental e doença ou transtorno mental?

Ginecologista Dra. Claudiani Branco fala sobre o Janeiro Branco, o mês da saúde mental.

Em geral, os termos causam confusão. Mas basta lê-los com cuidado, pois são autoexplicativos. O primeiro refere-se à saúde e, os outros, à ausência dela. Não existe, porém, uma definição oficial para o conceito de saúde mental, de acordo com a Organização Mundial de Saúde (OMS).

O termo está relacionado à forma como uma pessoa reage às exigências, desafios e mudanças da vida e ao modo como harmoniza suas ideias e emoções. Diariamente, vivenciamos uma série de emoções, boas ou ruins, mas que fazem parte da vida: como alegria, tristeza, raiva, frustração, satisfação entre outras.

Como lidamos com as emoções é o que determina como está a qualidade da nossa saúde mental.

Assim, tê-la ou alcançá-la está muito longe da ausência de transtornos mentais. O desequilíbrio emocional facilita o surgimento de doenças mentais. Podemos dizer que a saúde mental contempla, entre tantos fatores, a nossa capacidade de sensação de bem-estar e harmonia, a nossa habilidade m manejar de forma positiva as adversidades e conflitos, o reconhecimento e respeito dos nossos limites e deficiências, nossa satisfação em viver, compartilhar e se relacionar com os outros – algo muito maior e anterior ao início dos transtornos mentais.

Manter a saúde mental, no entanto, não é tão simples nos dias de hoje. São muitos problemas: estresse, brigas, atrasos, advertências, doenças, falta ou excesso de família, pouco ou muito dinheiro.

Diversos são os fatores que podem influenciar negativamente a nossa saúde mental.e Dedicamos grande parte do tempo de nossas vidas ao nosso emprego e nem sempre isso é prazeroso ou satisfatório. A alta taxa de desemprego no País, a baixa remuneração, más condições de trabalho, falta de planejamento profissional, entre tantos outros, são questões que levam ao aumento significativo de diversos transtornos.

Transtorno Mental e Doença Mental

O uso da palavra transtorno está relacionado com um conceito mais amplo de diagnóstico. Ao falarmos de doença nós temos as causas, um padrão de sintomas e medidas terapêuticas padronizadas, como, por exemplo, as doenças cardíacas.

Quando falamos em transtorno, nos referimos a uma trajetória diagnóstica que varia bastante de pessoa para pessoa, multifatoriais e com diversas formas de tratamento.

Preconceito

Sim, o preconceito ainda é bastante presente na sociedade. Começando pelo lugar que a loucura ocupou na história – o louco como alguém a ser afastado, enclausurado, aquele que não compartilha da ‘mesma realidade’ que os demais. Durante bastante tempo a loucura esteve associada às questões metafísicas de forma negativa. Aquele intangível que está relacionado ao mal, ao descontrole, ao diferente. Hoje em dia, as questões de saúde mental ainda ocupam um lugar bastante nebuloso. Um diabético tem um exame com uma medida glicêmica que prova o que ele tem e ele vale para questões cardíacas e as demais doenças crônicas. Como a saúde mental está no corpo e no meio, muitas vezes é concebida como uma fraqueza do sujeito, algo sobre o qual ele teria condições de atuar e não o faz. 

A maioria da sociedade ainda tem dificuldade em reconhecer que é uma doença e ainda ampliar o conceito de saúde e doença. Não dá mais para serem conceitos antagônicos; ter saúde não significa necessariamente não ter nenhuma doença.

Justamente pelo preconceito e julgamento, as pessoas não querem ser reconhecidas no lugar daqueles que têm transtornos mentais, com o risco de serem vistos como fracos ou descontrolados, algo que vai desde questões morais até as questões éticas. No caso de crianças então, a família se sente muito culpada e exposta.

VALE A PENA LEMBRAR QUE BOA PARTE DA POPULAÇÃO ESTÁ DEPRIMIDA E ANSIOSA, MAS NÃO ESTÁ INTERNADA, POIS AINDA CONSEGUEM SE SUBMETER AO FUNCIONAMENTO DA SOCIEDADE E FREQUENTAM O TRABALHO, A ESCOLA E OUTROS LUGARES SEM FAZER GRANDES ALARDES.

Combater o preconceito é sempre falar sobre o tema, propor debates e tentar entender que todo mundo tem seu jeito de funcionar, mesmo que seja bastante diferente do seu jeito. E tentar construir formas de convivências que não afastem quem é “diferente”. Na infância, por exemplo, as crianças com autismo têm bastante dificuldade de inserção nas escolas. Falta, da parte de todos, um pouco de empatia e flexibilidade para pensar onde encontramos o ponto comum. Não é que essas crianças não aprendem, elas aprendem de outro jeito. Não é que não sabem brincar, elas brincam de outro jeito. Mas a vida corrida não nos dá tempo de aprender o outro jeito de fazer as coisas.

No mundo adulto também falta bastante conversa sobre isso. Todo mundo tem que ser muito bom, o tempo todo. Tem que ser 100% em tudo: no trabalho, na família, na academia, na escola. Temos que falar mais sobre isso, temos que nos permitir sofrer quando é preciso, reconhecer o sofrimento do outro.

SAÚDE MENTAL. Como manter ou conquistá-la

Pequenas ações inseridas no cotidiano podem provocar grandes mudanças ao longo do tempo, com um impacto positivo no seu corpo e mente. O que você sabe sobre autocuidado? Conhece os seus pilares? Nutrição, movimento/atividade física, práticas mente-corpo, espiritualidade, relacionamentos, ambiente físico/contato com a natureza.

A SAÚDE MENTAL NÃO PODE ESTAR
DESCONECTADA DA SAÚDE DO CORPO, PORQUE SAÚDE É UMA SÓ.

Práticas mente-corpo como a meditação, o Yoga, a meditação mindfulness, entre outras, podem auxiliar no foco, facilitando o estado de consciência sobre o que está acontecendo agora, sobre as sensações e necessidades do corpo e,consequentemente, da mente.

É possível encontrar este estado de conexão em outras práticas como corrida, escutar uma música que você gosta, ler um bom livro, algo que realmente te traga para o contato consigo mesmo.

E não hesite em procurar ajuda! Sinta-se acolhida! E fale comigo pelos canais abaixo se precisar!

Libido

Ginecologista Dra Claudiani Branco fala sobre aspectos da libido da mulher.

Libido é o nome que se dá ao desejo sexual, que faz parte do instinto do ser humano, mas que pode ser influenciado por questões físicas ou emocionais, e, por isso, pode estar aumentado ou diminuído em algumas pessoas, em determinadas fases da vida.

Os hormônios que controlam a libido são a testosterona nos homens e o estrogênio nas mulheres, e por isso em determinados períodos do mês é normal que a mulher tenha maior ou menor interesse sexual. Normalmente as mulheres têm a libido mais aumentada durante o seu período fértil e menor libido durante a menopausa, por exemplo.

Vários fatores podem ocasionar a falta de libido, como estresse, ansiedade, problemas no relacionamento e uso de medicamentos, sendo importante identificar a causa para que possam ser tomadas atitudes que tenham como objetivo aumentar o desejo sexual.

Falta de libido: causas e como aumentar

Principais causas

A diminuição da libido pode acontecer como consequência de alterações nos níveis de hormônios que participam no controle do desejo sexual ou ser devido a situações do dia a dia, o que pode ser temporário ou duradouro. Algumas das principais causas de falta de libido são:

  1. Alterações emocionais, como estresse, ansiedade e depressão, pois interferem diretamente no humor e na disposição, podendo causar a falta de libido de forma temporária;
  2. Traumas emocionais, principalmente quando está relacionado com a relação sexual, o que pode causar diminuição da libido;
  3. Impotência sexual, pois devido à dificuldade para ter e/ou manter uma ereção, pode haver diminuição do desejo sexual motivada pela frustração, por exemplo;
  4. Problemas no relacionamento, já que nesse caso é possível que além da tensão a atração diminua, o que acaba por diminuir a libido;
  5. Uso de medicamentos, como pílulas anticoncepcionais, ansiolíticos ou antidepressivos, pois provocam alteração nos níveis hormonais circulantes no corpo e podem interferir no sistema nervoso, o que pode interferir no desejo sexual.
  6. Menopausa, já que há desbalanço nos níveis de hormônios sexuais femininos, o que pode causar diminuição da libido, além dos outros sinais e sintomas típicos da menopausa como ondas de calor, suor noturno e cansaço frequente, por exemplo;
  7. Diminuição dos níveis de testosterona no homem, já que esse hormônio está diretamente relacionado com o desejo sexual e produção de espermatozoides;
  8. Dor durante a relação sexual, isso porque uma vez que há dor e/ou desconforto no momento de prazer, pode haver diminuição do interesse para que a dor não seja mais sentida;

Nas mulheres, a falta de libido também pode ser causada pela dificuldade em se atingir o orgasmo ou de ficar excitada, o que dificulta o contato íntimo devido à falta de lubrificação da vagina, o que causa dor durante a relação sexual.

Como aumentar a libido?

Para aumentar a libido é importante consultar o médico para que seja possível identificar a causa e, assim, ser iniciado o tratamento mais adequado. Nos casos em que a falta de libido é consequência do uso de algum medicamento, o médico pode orientar a troca, alteração da dose ou suspensão do medicamento. Quando está relacionado com alterações hormonais, pode ser recomendada a realização de terapia de reposição hormonal.

Além disso, no caso de a diminuição da libido estar relacionada com menores níveis de testosterona ou com impotência sexual, é interessante aumentar o consumo de alimentos que melhoram a circulação sanguínea, como atum e sementes de chia, por exemplo, pois favorece a excitação.

Por outro lado, quando a falta de libido é consequência de alterações emocionais, traumas ou problemas no relacionamento, a melhor solução é buscar o tratamento com um psicanalista, para que as causas emocionais sejam solucionadas e o desejo sexual possa aflorar. Combater a ansiedade e o estresse também ajudam a aumentar a libido, assim como melhorar a autoestima e praticar exercícios físicos.

Quer saber mais sobre a Libido, ou sobraram dúvidas? Entre em contato comigo pelos canais abaixo:

Ultrassonografia obstétrica

Dra Claudiani Branco Ginecologista e Obstetra fala sobre a Ultrassonografia obstétrica. Foto em Canva.com.

A ultrassonografia obstétrica usa ondas sonoras para produzir imagens de um bebê (embrião ou feto) que está dentro de uma mulher grávida. Também é possível visualizar o útero e os ovários da mãe.

O ultrassom não usa radiação ionizante, não tem efeitos prejudiciais conhecidos e é o método preferido para monitorar mulheres grávidas e seus bebês em gestação.

Preparação da gestante para o exame

Este procedimento não requer preparação especial.

Uma vez que apenas a área abdominal inferior precisa ser exposta para este exame, você pode usar uma roupa folgada de duas peças.

Fatores como batimentos cardíacos fetais e malformações podem ser avaliados e as medições podem ser feitas com precisão nas imagens exibidas na tela.

Tais medidas formam a pedra angular na avaliação da:

  • idade gestacional;
  • tamanho;
  • crescimento do feto.

A forma como é feito o ultrassom obstétrico pode exigir uma bexiga cheia quando a varredura abdominal é feita no início da gravidez. Com isso, pode haver algum desconforto devido à pressão na região.

O gel condutor não mancha, mas pode dar a sensação de frio e umidade. Não há nenhuma sensação vinda das ondas de ultrassom.

Por que o Ultrassom é usado na gravidez?

Não se trata, apenas, de um momento emocionante no qual você tem o primeiro contato visual do seu filho. O Ultrassom Obstétrico é feito dentro do Pré-Natal, várias vezes ao longo das semanas de gestação, com o objetivo de:

  • garantir que a saúde do bebê e da gestante esteja em ordem;
  • diagnosticar alterações de uma série de características do seu bebê e mais.

Atualmente, a forma como é feita a Ultrassonografia Obstétrica é considerada uma investigação segura, não invasiva e precisa.

Tornou-se progressivamente uma ferramenta obstétrica indispensável e desempenha um papel importante no cuidado de toda mulher grávida.

Os principais usos da Ultrassonografia Obstétrica são:

1. Diagnóstico e confirmação da gravidez

O saco gestacional pode ser visualizado a partir de 4 semanas e meia de gestação e o saco vitelino em cerca de 5 semanas.

O ultrassom também é muito importante para confirmar que a gravidez está dentro da cavidade do útero.

2. Sangramento vaginal no início da gravidez

Um outro uso comum do ultrassom é para casos de sangramento.

Uma vez que o batimento cardíaco é detectado pela ultrassonografia entre a 6ª e 7ª semana, mesmo que ocorra um sangramento, é possível verificar se está tudo em ordem com o feto.

A frequência cardíaca fetal tende a variar com a idade gestacional nas primeiras fases da gravidez. A frequência cardíaca normal na 6ª semana é de cerca de 90-110 batimentos por minuto (bpm) e na 9ª semana é de 140-170 bpm.

3. Determinação da idade gestacional e avaliação do tamanho do feto

As medidas corporais fetais refletem a idade gestacional do feto. Isto é particularmente verdadeiro no início da gestação.

Em pacientes com último período menstrual incerto, tais medidas devem ser feitas o mais cedo possível na gravidez para se chegar a uma data correta para o paciente.

Na última parte da gravidez, a medição dos parâmetros corporais permitirá a avaliação do tamanho e do crescimento do feto e ajudará muito no diagnóstico e no manejo do retardo do crescimento intrauterino (RCIU).
As seguintes medições são geralmente feitas:

  • O comprimento da coroa-nádega (CRL): feita entre 7 e 13 semanas e fornece uma estimativa muito precisa da idade gestacional.
  • O diâmetro biparietal (DBP): é o diâmetro entre os dois lados da cabeça. Isso é medido após 13 semanas.
  • O comprimento do fêmur (FL): mede o osso mais longo do corpo e reflete o crescimento longitudinal do feto.
  • A circunferência abdominal (CA): a medida mais importante a ser feita no final da gravidez. Ele reflete mais o tamanho e o peso fetal do que a idade. Medições em série são úteis no monitoramento do crescimento do feto.

4. Diagnóstico de malformação fetal

A maneira como é feita a Ultrassonografia Obstétrica permite ao médico encontrar alterações estruturais que o feto possa vir a ter.

Elas podem ser diagnosticadas de forma confiável por meio de um ultrassom, e geralmente podem ser feitas antes de 20 semanas.

Exemplos comuns de malformação incluem:

  • hidrocefalia;
  • anencefalia;
  • mielomeningocele;
  • acondroplasia e nanismo;
  • espinha bífida e mais.

Com equipamentos mais recentes, condições como fissura labiopalatina e alterações cardíacas congênitas são mais prontamente diagnosticadas e em uma idade gestacional mais precoce.

Os marcadores ultrassônicos “soft” indicam diferenças cromossômicas, como síndrome de Down.

A ultrassonografia ainda pode auxiliar em outros diagnósticos pré-natal.

5. Localização placentária

A ultrassonografia tornou-se indispensável na localização da placenta e na determinação de suas bordas inferiores.

Outras alterações placentárias em condições como diabetes, hidropisia fetal, isoimunização de Rh e retardo grave do crescimento intrauterino, também podem ser avaliadas.

6. Gravidez múltipla

Nessa situação, a ultrassonografia é inestimável na determinação de:

  • número de fetos;
  • corionicidade;
  • apresentações fetais,
  • presença de placenta prévia e outras análises.

7. Volume do líquido amniótico

Por meio do ultrassom obstétrico é possível medir a quantidade excessiva ou diminuída de líquido amniótico.

Ambas as condições podem ter efeitos adversos no feto. Nos dois casos, uma Ultrassonografia Obstétrica cuidadosa deve ser feita para excluir o retardo do crescimento intraútero e a malformação congênita no feto.

A ultrassonografia também é de grande valor em outras condições obstétricas que devem ser discutidas com o médico que está acompanhando o pré-natal.

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Informações sobre o Implanon

Dra Claudiani Branco Ginecologista fala sobre o contraceptivo Implanon. Imagem: Bruce Mars on Unsplash.

Implanon® é um pequeno bastão de plástico semirrígido contendo 68 mg da substância ativa etonogestrel, que é colocado diretamente sob a pele. Uma pequena quantidade de um tipo de hormônio feminino, o progestagênio etonogestrel, é liberada continuamente, passando do implante para a corrente sanguínea, resultando em efeito anticoncepcional por um período de até três anos.

Funciona de duas maneiras:

  • Impedindo a liberação do óvulo do ovário; e
  • Alterando a secreção do colo do útero e dificultando a entrada dos espermatozoides no útero.

Como deve ser inserido?

  • Para facilitar a inserção, a mulher deve deitar-se de costas, com o braço levemente dobrado no cotovelo e virado para fora.
  • Será inserido com a ajuda de um aplicador desenvolvido especialmente para essa função, na parte interna do braço.
  • O local da inserção será indicado na pele; o local será desinfetado e anestesiado.
  • A pele é distendida e a agulha inserida diretamente sob a pele. Quando a ponta da agulha estiver dentro da pele, a agulha é inserida completamente com um movimento paralelo à superfície da pele.
  • O implante permanecerá no braço quando a agulha for retirada, após a quebra do lacre.
  • O médico verificará, juntamente com você, se o implante realmente está dentro do seu braço. Em caso de dúvida, você deverá utilizar camisinha até que você e seu médico estejam completamente seguros de que o implante foi inserido. Em raros casos, o médico pode ter que utilizar exame por ultrassonografia ou ressonância magnética, ou exame de sangue, para ter certeza de que o implante foi inserido no local.
  • Será feito um curativo compressivo com uma gaze estéril para minimizar as lesões.

Como deve ser retirado?

  • A localização precisa do implante é indicada no cartão da usuária.
  • O médico localizará o final do implante. Quando o implante não puder ser localizado, o médico pode recorrer às técnicas de ultrassonografia ou ressonância magnética.
  • O braço da mulher será desinfetado e anestesiado.
  • Será feito um pequeno corte na direção longitudinal do braço, logo abaixo da ponta do implante.
  • O implante será puxado delicadamente e retirado com uma pinça.
  • Ocasionalmente, o implante pode estar encapsulado. Nesse caso, será necessário um corte pequeno na pele antes que o implante possa ser retirado.
  • O corte será fechado com curativo aproximativo e será colocada uma gaze estéril compressiva para minimizar as lesões.

Tem mais dúvidas sobre o implanon ou sobre outros métodos anticoncepcionais? Veja este artigo, ou fale comigo através de um dos canais abaixo:

A primeira consulta ao ginecologista

Dra Claudiani Branco fala sobre a primeira consulta ao ginecologista. Imagem: freestocks on Unsplash.

Engana-se quem pensa que apenas jovens e adultas que já tiveram relações sexuais devem ir ao ginecologista. A primeira consulta está recomendada já no início da adolescência, para que a menina entenda o próprio corpo e aprenda cuidados desde cedo.

Mas o que esperar de uma primeira consulta com um ginecologista?

Primeiro, precisa deixar o medo e a vergonha de lado. Depois, saber que esta consulta começa com uma conversa de cuidados básicos e orientação sobre higiene íntima.

Haverá exame?

Normalmente em menores de idade, o primeiro passo é uma entrevista com a mãe que está acompanhando a menina naquela consulta, uma espécie de entrevista para saber a história familiar. Muitas vezes, a mãe também está cheia de dúvidas. Depois, vem a conversa com a paciente, para deixá-la mais à vontade.

O primeiro encontro pode servir apenas para o início do vínculo entre o médico e a paciente. Se ela estiver com medo e muito envergonhada – o que é natural – a primeira consulta será apenas uma conversa e o momento para tirar dúvidas.

Se for possível um exame físico nesta primeira consulta, será avaliado se o desenvolvimento da menina está de acordo com a faixa etária. Se a menina já teve relação sexual, o médico vai avaliar se é recente, se já tem vida sexual regular e o número de parceiros que teve para verificar a necessidade de exames preventivos ginecológicos.

Mesmo após a primeira consulta com o ginecologista, a conversa entre mãe e filha sobre sexualidade é muito importante para que a adolescente esteja sempre bem-informada sobre o que acontece no seu corpo, e nada melhor do que a própria mãe, aliada ao ginecologista, para passar o conhecimento e segurança que ela precisa nesse momento.

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Embolia amniótica

Dra Claudiani Branco fala sobre a Embolia Amniótica e como prevení-la. Imagem: Jamie Coupaud on Unsplash.

A embolia de líquido amniótico é uma síndrome clínica de hipóxia, hipotensão e coagulopatia resultante da entrada de antígenos fetais na circulação materna.

A embolia de líquido amniótico é uma emergência obstétrica rara, com ocorrência estimada em 2 a 6/100.000 gestações. Ela geralmente ocorre durante a gestação tardia, mas pode ocorrer durante a interrupção de uma gestação no 1º ou 2º trimestre.

Embora as estimativas de mortalidade variem amplamente (de cerca de 20 a 90%), a síndrome apresenta claramente um risco significativo, e de mulheres que morrem de repente durante o trabalho de parto, o embolismo de líquido amniótico é uma das causas mais prováveis. A sobrevida depende do reconhecimento na fase inicial e instituição imediata do tratamento.

Fisiopatologia

O termo “embolia” do líquido amniótico consagrado implica um distúrbio principalmente mecânico, obstrutivo, como ocorre no tromboembolismo ou embolia aérea. Mas como o líquido amniótico é completamente solúvel no sangue, ele não pode causar obstrução. Além disso, as pequenas quantidades de células fetais e fragmentos de tecido que podem acompanhar o líquido amniótico na circulação materna são muito pequenos para obstruir de maneira mecânica e suficiente a árvore vascular pulmonar a fim provocar alterações hemodinâmicas acentuadas que ocorrem nessa síndrome.

Em vez disso, pensa-se atualmente que a exposição a antígenos fetais durante o parto ativa mediadores pró-inflamatórios, que desencadeiam uma cascata inflamatória impressionante e liberam substâncias vasoativas (p. ex., noradrenalina) semelhantes à síndrome da resposta inflamatória sistêmica (SRIS) que ocorre na sepse e choque séptico.

A resposta inflamatória provoca danos aos órgãos, especialmente pulmões e coração, e desencadeia a cascata de coagulação, resultando em coagulação intravascular e disseminada. A hipóxia e hipotensão materna resultantes têm efeitos profundos negativos sobre o feto.

Como a exposição materna aos antígenos fetais é provavelmente bastante comum durante o trabalho de parto e o parto, não está claro por que apenas algumas mulheres desenvolvem embolia de líquido amniótico. Considera-se que os diferentes antígenos fetais em quantidades variáveis provavelmente interagem com fatores de susceptibilidade materna desconhecidos.

Fatores de risco

Muitos fatores estão associados a um risco aumentado de embolia por líquido amniótico, mas as evidências são inconsistentes. Assim como acontece com a exposição a antígenos fetais, muitos dos fatores de risco são comuns ou pelo menos muito mais prováveis do que a embolia de líquido amniótico, e não há um bom entendimento fisiopatológico da razão por que apenas algumas mulheres com fatores de risco desenvolvem a síndrome. Mas geralmente considera-se que o risco é maior por causa dos seguintes:

  • Parto cesariana
  • Idade materna avançada
  • Gestação gemelar
  • Descolamento prematuro de placenta
  • Trauma abdominal
  • Placenta prévia
  • Ruptura uterina
  • Lacerações cervicais
  • Parto com fórceps
  • Polidrâmnios
  • Indução de parto

Sinais e Sintomas

A embolia de líquido amniótico costuma se manifestar durante e logo após o parto. O primeiro sinal pode ser parada cardíaca súbita. Outras pacientes podem subitamente desenvolver dispneia e apresentar taquicardia, taquipneia e hipotensão. Insuficiência respiratória, com cianose significativa, hipóxia e crepitações pulmonares, muitas vezes sucedem-se rapidamente.

A coagulopatia se manifesta como sangramento do útero e/ou locais das incisões e venipuntura( punção de uma veia).

Hipoperfusão uterina causa atonia uterina e sofrimento fetal.

Diagnóstico

  • Avaliação clínica
  • Exclusão de outras causas

Suspeita-se do diagnóstico da embolia de líquido amniótico quando a tríade clássica se desenvolve durante o trabalho de parto ou logo após o parto:

  • Hipóxia súbita
  • Hipotensão
  • Coagulopatia

O diagnóstico é clínico e excluindo outras causas dos seguintes:

  • Parada cardíaca súbita em mulheres jovens (p. ex., dissecção da artéria coronária, doença cardíaca congênita)
  • Insuficiência respiratória aguda (embolia pulmonar, pneumonia )
  • Coagulopatia (p. ex., sepse , hemorragia pós parto, atonia uterina)

A autópsia pode detectar células escamosas fetais e cabelo na circulação pulmonar, mas esse resultado não confirma o diagnóstico. Células fetais são às vezes detectadas em pacientes que não têm embolia por líquido amniótico.

Tratamento

O tratamento da embolia de líquido amniótico é de suporte. Há indicação de transfusão de hemácias (conforme necessário para repor o sangue perdido), plasma fresco congelado e fatores da coagulação (como indicado para reverter a coagulopatia), além de suporte ventilatório e circulatório, com inotrópicos positivos conforme necessário. O fator recombinante VIIa não deve ser utilizado rotineiramente, mas pode ser administrado a mulheres que continuam a sangrar muito apesar do uso de outros fatores de coagulação. O parto cirúrgico imediato pode melhorar o desfecho materno e pode ser crucial para a sobrevivência do feto em uma idade gestacional viável.

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Resistência à insulina.

Dra Claudiani Branco fala sobre a resistência a insulina. Imagem: Dennis Klicker on Unsplash.

A resistência à insulina ou resistência insulínica é um problema que antecede a maioria dos casos de diabetes – doença que atinge cerca de 12 milhões de brasileiros, de acordo com o Ministério da Saúde. Essa condição que se caracteriza pela insuficiência relativa do hormônio insulina no organismo, porém, pode ser prevenida e até curada.

A insulina é responsável pela redução da taxa de açúcar no sangue, conhecida por glicemia. Quando uma pessoa se torna resistente à insulina, seu organismo tende a aumentar as taxas de açúcar (glicose) no sangue, podendo assim resultar em um estado de pré-diabetes ou mesmo em diabetes

Acredita-se que a resistência à insulina, se não for tratada, também pode aumentar o risco para outros problemas de saúde, como hipertensão arterialcolesterol sanguíneo e doenças cardiovasculares

Por esse motivo, a resistência à insulina muitas vezes é confundida com a síndrome metabólica – patologia que reúne um conjunto de fatores de risco que, associados, aumentam a incidência de doença cardiovascular e diabetes. Na verdade, a resistência à insulina costuma compor o quadro de síndrome metabólica. 

Quais os sinais de resistência à insulina?

A resistência à insulina por si só raramente determina sintomas. Às vezes, quando esse desequilíbrio for muito grande, pode ocorrer acantose nigricans – um tipo de doença de pele caracterizado por pigmentações marrons, parecidas com sujeiras, na região do pescoço. 

Algumas pessoas com resistência à insulina relatam dificuldade para emagrecer. Isso pode ocorrer porque o açúcar consumido deixa de ser processado corretamente, contribuindo assim para o armazenamento de gorduras no organismo. 

No entanto, a resistência à insulina é um problema muito comum nas pessoas com as seguintes condições de saúde:

  • Obesidade ou excesso de gordura na região da barriga.
  • Sedentarismo.
  • Ovário policístico (este distúrbio hormonal feminino pode provocar irregularidade menstrual, excesso de pelos, acne e obesidade).
  • Esteatose hepática (trata-se de um acúmulo de gordura no fígado, que nos casos mais avançados pode causar dor, fraqueza e perda de apetite).
  • Diabetes tipo 2.

Pessoas que tiverem qualquer um desses problemas deve procurar ajuda médica, pois podem estar também com resistência à insulina. Esta condição costuma se manifestar a partir da fase adulta, mas também pode ocorrer em adolescentes. A resistência à insulina não afeta bebês, pois é um problema desenvolvido ao longo da vida.

Como prevenir e tratar a resistência à insulina?

A prevenção da resistência à insulina está diretamente ligada a perda de peso e a prática regular de atividade física. Esses cuidados também fazem parte do tratamento e até da cura da resistência à insulina.

Para alguns casos, conforme orientação médica, a resistência à insulina pode ser tratada também com medicamentos utilizados para diabetes, como metformina e pioglitazona. 

O diagnóstico da resistência à insulina é feito com exames de sangue que medem a dosagem de glicose e insulina no organismo. Muitas vezes, apesar de a glicose estar num nível satisfatório, a taxa de insulina é alta. A explicação é simples: para manter os níveis de glicose normais, o organismo precisa secretar quantidades aumentadas de insulina. Uma compensação que acaba se esgotando, levando a um aumento tanto da insulina quanto da glicose. 

Procure um médico para avaliar, muitas vezes para garantir que os pacientes nesta condição recebam toda a atenção necessária em cada fase de seu tratamento será necessário atendimento multiprofissional.

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