Hipogonadismo feminino

O hipogonadismo feminino pode ser caracterizado quando as mulheres produzem menos ou deixam de produzir o estrogênio e a progesterona. A doença não tem cura, apesar de ter tratamento. Geralmente, o hipogonadismo é diagnosticado durante a puberdade.

GInecologista Dra Claudiani Branco fala sobre o Hipogonadismo feminino. Imagem: Brooke Cagle on Unsplash

A doença pode ser classificada em dois tipos, o primário e o secundário. O primeiro é chamado de hipergonadotrófico, que é caracterizado pelos ovários não estarem funcionando como deveriam. Já no hipogonadotrófico, ou secundário, é caracterizado pelas partes específicas do cérebro que controlam os ovários não estarem funcionando corretamente.

Entre as causas congênitas, a síndrome de Turner é a mais comum entre as pessoas do sexo feminino. Além disso, há outras causas que podem levar ao hipogonadismo feminino, como:

  • Emagrecimento constante (principalmente em atletas);
  • Doenças autoimunes;
  • Hemocromatose, doença em que o organismo deposita ferro nos tecidos causando defeitos nas gônadas ou na hipófise;
  • Cirurgia e radiações que possam causar alterações na função gonadal.

Sintomas

Os sintomas do hipogonadismo feminino são diferentes conforme a idade da paciente. Confira aqui os principais:

Antes da puberdade, os sintomas costumam ser:

  • Ausência da menstruação;
  • Baixa estatura;
  • Pouco desenvolvimento das mamas;

Após a puberdade, os sintomas costumam ser:

  • Ondas de calor;
  • Perda de pêlos no corpo (axilas e pelos pubianos);
  • Diminuição da libido;
  • Perda de massa muscular;
  • Fogachos em mulheres com menos de 40 anos;
  • Vagina seca;
  • Dificuldade para engravidar;
  • Falhas entre os períodos menstruais ou falta da menstruação.

Além desses sintomas, o hipogonadismo feminino normalmente causa infertilidade ou problemas durante a gestação.

Gravidez e o hipogonadismo

Quando a doença inicial não é na gônada e a paciente tem a intenção de ter um filho, alguns tratamentos podem ser feitos através da utilização de medicamentos que estimulem a função dos testículos ou dos ovários.

Diagnóstico

O diagnóstico pode ser feito realizando exames:

  • Ultrassom da pelve;
  • Ressonância da hipófise;
  • Determinação do painel de hormônios (FSH, LH, estradiol e progesterona).

Tratamento

O tratamento do hipogonadismo feminino pode ser feito de três formas:

  • Reposição hormonal com progesterona e estrogênio;
  • Cirurgia;
  • Estimulação da ovulação.

Quando a mulher tem diminuição da libido, o médico pode receitar testosterona em baixos níveis.

Para conviver com a doença, é fundamental fazer o tratamento adequado com acompanhamento especializado. E para mais informações e dúvidas, me contacte através dos canais abaixo:

Vitiligo Vulvar

O vitiligo é uma doença caracterizada pela perda da coloração da pele. As lesões formam-se devido à diminuição ou à ausência de melanócitos (células responsáveis pela formação da melanina, pigmento que dá cor à pele) nos locais afetados. As causas da doença ainda não estão claramente estabelecidas, mas fenômenos autoimunes parecem estar associados ao vitiligo. Além disso, alterações ou traumas emocionais podem estar entre os fatores que desencadeiam ou agravam a doença.

Dra Claudiani Branco Ginecologista fala sobre o Vitiligo Vulvar. Imagem: Armin Rimoldi no Pexels.

A doença é caracterizada por lesões cutâneas de hipopigmentação, ou seja, manchas brancas na pele com uma distribuição característica.  O tamanho das manchas é variável, pode ser assintomático ou apresenta leve prurido premonitório. Os pelos podem ser brancos, não altera a morfologia vulvar.

O diagnóstico é realizado clinicamente com confirmação histopatológica se necessário.

Tratamento

Na lesão recente, o tratamento pode ser feito com corticoide tópico de média potência. Interessante contar com a opinião de um dermatologista.

Se tiver mais dúvida sobre o Vitiligo Vulvar ou qualquer outra pergunta sobre ginecologia ou saúde da mulher, use um dos canais abaixo e fale comigo.

A primeira consulta ao ginecologista

Dra Claudiani Branco fala sobre a primeira consulta ao ginecologista. Imagem: freestocks on Unsplash.

Engana-se quem pensa que apenas jovens e adultas que já tiveram relações sexuais devem ir ao ginecologista. A primeira consulta está recomendada já no início da adolescência, para que a menina entenda o próprio corpo e aprenda cuidados desde cedo.

Mas o que esperar de uma primeira consulta com um ginecologista?

Primeiro, precisa deixar o medo e a vergonha de lado. Depois, saber que esta consulta começa com uma conversa de cuidados básicos e orientação sobre higiene íntima.

Haverá exame?

Normalmente em menores de idade, o primeiro passo é uma entrevista com a mãe que está acompanhando a menina naquela consulta, uma espécie de entrevista para saber a história familiar. Muitas vezes, a mãe também está cheia de dúvidas. Depois, vem a conversa com a paciente, para deixá-la mais à vontade.

O primeiro encontro pode servir apenas para o início do vínculo entre o médico e a paciente. Se ela estiver com medo e muito envergonhada – o que é natural – a primeira consulta será apenas uma conversa e o momento para tirar dúvidas.

Se for possível um exame físico nesta primeira consulta, será avaliado se o desenvolvimento da menina está de acordo com a faixa etária. Se a menina já teve relação sexual, o médico vai avaliar se é recente, se já tem vida sexual regular e o número de parceiros que teve para verificar a necessidade de exames preventivos ginecológicos.

Mesmo após a primeira consulta com o ginecologista, a conversa entre mãe e filha sobre sexualidade é muito importante para que a adolescente esteja sempre bem-informada sobre o que acontece no seu corpo, e nada melhor do que a própria mãe, aliada ao ginecologista, para passar o conhecimento e segurança que ela precisa nesse momento.

Se tem mais dúvidas sobre a primeira consulta, fale comigo pelos canais abaixo:

Cistos ovarianos

Dra Claudiani Branco explica o que é preocupação ou não com relação aos cistos ovarianos.  Imagem: Matt Reiter no Unsplash.

Cistos no ovário consistem em estruturas de tecido orgânico com formato de bolsa repletas de líquidos ou matérias semissólidas. A maioria deles pode ser considerada benigna e fisiológica. Ou seja, não possuem relação alguma com nenhum tipo de doença.

Em grande parte dos casos bastam poucas semanas para que eles desapareçam sozinhos sem que seja preciso realizar tratamentos.

Mulheres de todas as faixas etárias podem ser afetadas pelos cistos ovarianos, porém a ocorrência deles é mais comum naquelas em idade fértil.

Cistos no ovário podem ser classificados em dois grupos, os benignos e malignos. Os benignos podem ser dos seguintes tipos:

Cisto de corpo lúteo: corpo lúteo é um pedaço de tecido que surge depois que o óvulo é liberado do interior do folículo.

Quando não acontece a gravidez, o corpo lúteo costuma retroceder e desaparecer. Porém, há casos em que algum fluido ou sangue preenche o corpo lúteo e ele continua dentro do ovário.

Esse tipo de cisto é assintomático e costuma afetar apenas um lado do ovário.

Cisto folicular: formado a partir do crescimento anormal de um folículo ovariano durante a menstruação e a ruptura que causa a liberação do óvulo não ocorre.

Cistos foliculares costumam ser resolvidos de maneira espontânea em questão de semanas ou meses.

Cisto dermóide:  é um tipo de tumor benigno que costuma afetar mulheres mais jovens. Conhecido também pelo nome de teratoma cístico maduro, esse tipo de cisto pode apresentar ossos, gordura, cartilagem e pelos em sua composição.

Cisto endometrioide ou endometrioma:  ocorre quando o endométrio, tecido que reveste as paredes internas do útero, se aloja e cresce nos ovários. Quando sangram eles formam áreas císticas de coloração marrom popularmente chamadas de “cistos chocolate”.

Acometem mulheres em idade fértil e gera dor pélvica crônica durante os ciclos menstruais.

Cisto hemorrágico: categoria de cisto funcional que apresenta sangramentos internos resultantes de lesões em seus pequenos vasos sanguíneos. Pode causar dores abdominais do lado em que o cisto se encontra.

Cistoadenoma: tumor benigno de característica serosa ou mucosa. Pode crescer bastante e tornar-se consideravelmente volumoso, a ponto de necessitar de intervenção cirúrgica para ser removido.

Ovários com aparência policística: quando os dois ovários apresentam aumento considerável de volume devido à presença de pequenos cistos na área ovariana exterior.

Condição que diferencia-se da Síndrome dos Ovários Policísticos, pois não apresenta outras complicações fisiológicas e os riscos ao metabolismo e sistema cardiovascular decorrentes da resistência à insulina, características da SOP.

Sintomas

A maioria dos casos de cistos nos ovários não apresentam sintomas, fator que dificulta muito o diagnóstico precoce. Por isso é essencial realizar as consultas ginecológicas e exames de rotina.

Todavia, quando os sintomas se manifestam, costumam ser os seguintes:

  • Dor pélvica após exercícios físicos e relações sexuais;
  • Infertilidade;
  • Desconforto ou sensação de peso na pelve ou parte inferior do abdômen;
  • Sangramento menstrual irregular;
  • Vômitos e enjoos;
  • Dor pélvica durante ciclo menstrual que irradia para a lombar;
  • Pressão ou dor ao evacuar e urinar;
  • Dor vaginal.

Diagnóstico

É possível perceber a possibilidade de ocorrência de cistos nos ovários com o exame pélvico e exame físico abdominal. Entretanto, esses métodos investigativos não são suficientes para confirmar as suspeitas.

Para tanto, são necessários exames de imagem, como o ultrassom transvaginal. Esse é um exame indolor que, geralmente, possibilita a identificação das características do cisto.

As imagens fornecidas pelo ultrassom permitem identificar a composição do cisto e qualificá-lo como simples (preenchido somente por fluidos), complexo (material sólido combinado com áreas de fluido) ou totalmente sólido.

Para avaliar a dimensão dos cistos, a tomografia pélvica pode ser indicada e em outros casos, quando houver necessidade de um exame mais detalhado, é recomendada a ressonância magnética.

Dosagem de Ca-125

É um exame feito para apurar os níveis de Ca-125, marcador sanguíneo que identifica o câncer ovariano e auxilia a definir se um cisto tende a ser maligno.

Válido ressaltar que nem sempre níveis elevados de Ca-125 representam malignidade.

Teste de Gravidez (beta-hCG)

Exame feito para descartar a possibilidade de uma gravidez ectópica (fora do útero), pois os sintomas podem ser bastante similares aos que normalmente acompanham os cistos no ovário.

Tratamentos

Os cistos ovarianos fisiológicos (ou funcionais) são os mais comuns. Muitas vezes eles regridem e desaparecem sem a necessidade de tratamento.

Quando a remissão natural não acontece e as lesões crescem e permanecem por meses, é necessário removê-las para confirmar se não há risco de malignidade.

Outros tratamentos, mais conservadores e indicados para casos menos complexos, incluem o uso de anticoncepcionais orais para regular os ciclos menstruais e, dessa forma, evitar o surgimento de outros cistos.

Para as intervenções cirúrgicas, o método mais recomendado é a videolaparoscopia. Seu caráter minimamente invasivo possibilita uma recuperação rápida e garante menor tempo de internação da paciente.

É fundamental conversar com o profissional da saúde de sua confiança para compreender melhor os mecanismos dos tipos de cistos ovarianos e as possibilidades de tratamentos. Cada caso possui sua especificidade e, portanto, as consultas são indispensáveis.

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Período Fértil

Dra Claudiani Branco explica sobre as características do período fértil da mulher. Imagem: Artem Beliakikin no Pexels.

O ciclo menstrual é um processo natural que ocorre de modo cíclico em todas as mulheres férteis. Todo ciclo em que ocorre uma ovulação inicia-se e termina com a menstruação. A menstruação é um sinal que mostra que a mulher ovulou, mas este óvulo não foi fecundado.

A primeira menstruação da vida da mulher chama-se menarca. A última chama-se menopausa.

Por convenção, o ciclo menstrual (ciclo ovulatório) inicia-se no primeiro dia da menstruação, durando, em média, 28 dias e terminando no primeiro dia da menstruação seguinte. Algumas mulheres têm períodos mais curtos de até 21 dias, enquanto outras possuem períodos mais longos, indo até 35 dias. Mulheres adolescentes com menarca recente podem ter ciclos de até 45 dias, uma vez que seu sistema reprodutor ainda está amadurecendo.

O mesmo prolongamento pode ocorrer com mulheres próximas da menopausa, quando já começa a haver sinais de falência dos ovários.

Ao contrário dos homens que produzem seus espermatozoides continuamente ao longo de toda a vida, as mulheres nascem com um número contado de óvulos. São cerca de 450.000 e eles ficam estocados nos ovários, sendo liberados, na maioria das vezes, apenas um por ciclo.

Enquanto os homens são férteis por toda a vida, as mulheres só podem engravidar entre o período de anos que compreende a menarca e a menopausa.

Os órgãos reprodutores das mulheres consistem em dois ovários, duas trompas, um útero e a vagina.

Para facilitar o entendimento, vamos considerar o ciclo normal aquele com 28 dias, começando e terminando sempre no primeiro dia da menstruação.

O ciclo menstrual é regido pelos hormônios FSH e LH, produzidos na hipófise, glândula localizada no cérebro, e pelos hormônios estrogênio e progesterona, produzidos pelos ovários. Todo o processo hormonal tem duas funções: provocar a ovulação e preparar o útero para receber o feto, caso o óvulo seja fecundado.

O que ocorre durante o ciclo menstrual?

  • Durante os primeiros dias do ciclo, o cérebro produz o hormônio FSH que provoca o amadurecimento dos folículos, que por sua vez, passam a produzir estrogênio.
  • Enquanto os folículos vão ficando maduros, o estrogênio age no útero, fazendo com sua parede (endométrio) cresça e se torne um local propício para a implantação do óvulo, caso este seja fecundado.
  • 14 dias antes da próxima menstruação, quando pelo menos um dos folículos já se encontra suficientemente maduro, a hipófise lança na corrente sanguínea um outro hormônio, chamado LH, que dentro de 36 horas provocará a ovulação.
  • Quando a mulher ovula, lança seu óvulo em direção as trompas e o ovário começam a produzir um novo hormônio, a progesterona, que será responsável em manter o útero rico em nutrientes e circulação de sangue, à espera do feto.
  • Se o óvulo não for fecundado, ele se degenera e a concentração de todos estes hormônios começa a cair. Sem hormônios, a parede espessa do útero não tem como se manter, e ela desaba. Isto é a menstruação. Agora, um novo ciclo se reinicia.

Dia da Ovulação

Nas mulheres com ciclo menstrual regular, é possível prever o período fértil, pois em 95% dos casos, a ovulação ocorre nos quatro dias anteriores ou posteriores ao ponto médio do ciclo. 30% das mulheres ovulam exatamente no meio ciclo.

Ou seja, mulheres com ciclo regular de 28 dias têm o ponto médio do ciclo com 14 dias. 30% delas irão ovular exatamente no 14º dia de ciclo. No restante, o dia da ovulação costuma ocorrer entre os dias 11 e 18 do ciclo.

Por quantos dias a mulher permanece fértil?

O óvulo, após a ovulação, tem uma vida útil muito curta, cerca de 12-24 horas. Por isso, se a mulher ovular hoje, o espermatozoide tem um prazo máximo de 24 horas até encontrá-lo.

Como o espermatozoide tem uma vida muito mais longa, cerca de 3 a 7 dias, as maiores chances de fecundação ocorrem quando a relação sexual acontece 24 a 48 horas antes da ovulação. O ideal é que, quando o óvulo chegue à trompa, já exista uma grande quantidade de espermatozoides à sua espera.

Levando-se em conta a vida média do óvulo e dos espermatozoides, na prática, o período fértil acaba por compreender, em média, os 5 a 6 dias antes da ovulação até o dia seguinte à mesma.

As relações sexuais ocorridas dentro das 48 horas antes da ovulação são aquelas com maior chance de gerar uma gravidez.

Estudos mostram que as chances de engravidar de acordo com a data da relação sexual são as seguintes:

  • Até cinco dias antes da ovulação – 4%.
  • Até dois dias antes da ovulação – 25 a 28%.
  • Durante as 24 horas após a ovulação – 8 a 10%.
  • Para o restante do ciclo – 0%

Dicas de como Engravidar

Trabalhos atuais mostram que a qualidade do sêmen é maior quando ocorre intervalo de 2 a 3 dias entre as ejaculações. Por isso, para quem deseja engravidar, indica-se o coito dia sim, dia não, ou pelo menos, a cada 2 dias.

Quando não é fácil prever o dia da ovulação, sugere-se aos casais que queiram engravidar ter relações sexuais três vezes por semana, iniciando-as logo após o fim da menstruação. Deste modo garante-se pelo menos 3 relações dentro do período fértil, com um sêmen de boa qualidade.

A posição em que se pratica o sexo e a presença ou não de orgasmo na mulher não influenciam na probabilidade de concepção. Do mesmo modo, ficar com as pernas para o alto ou qualquer outro tipo de posição ao final da relação sexual também não têm influência nenhuma. Nada indica que ocorra diminuição das chances de fecundação se a mulher retomar suas atividades logo após o fim do coito. Não é por falta de acrobacias ou devido a sua posição sexual favorita que você vai deixar de engravidar.

O uso de alguns lubrificantes vaginais inibe a motilidade dos espermatozoides e podem reduzir as chances de fecundação. Para casais com dificuldade em engravidar, sugere-se evitá-los.

Como saber se estou ovulando?

Existem algumas maneiras de se estimar o momento da ovulação. Como já foi dito, nas mulheres com ciclo menstrual muito regular é possível prever a data da próxima menstruação, prevendo, assim, que aproximadamente 14 dias antes será o dia da ovulação. O problema é que a maioria das mulheres não possui ciclos tão regulares que permitam utilizar essa técnica tão bem.

Logo após o pico de LH que induz a ovulação, a temperatura corporal das mulheres se eleva discretamente, cerca de 0,5ºC, permanecendo assim por mais 10 dias.

Infelizmente esse método é pouco útil na prática. A medição da temperatura é um método bom para saber retrospectivamente se a mulher ovulou recentemente, mas essa subida costuma ocorrer tardiamente em relação a ovulação, não servindo para indicar o momento certo da relação sexual. Como o óvulo tem vida muito curta, quando se identifica a subida da temperatura, este praticamente já não está mais viável.

Outro modo de pesquisar a ovulação é através do muco vaginal. Alguns dias antes da ovulação, o muco produzido pelo útero se altera, tornando-se mais espesso e elástico. Este muco é chamado de muco fértil, pois favorece a mobilidade dos espermatozoides em direção ao útero e às trompas.

Muitas mulheres conseguem detectar essa alteração nas características do seu muco, sendo uma indicação de que a ovulação está próxima de acontecer.

Algumas mulheres apresentam dor no momento da ovulação. A ruptura do folículo ovariano para liberar o óvulo, pode causar uma discreta irritação do peritônio, causando dor no lado onde está o ovário que ovulou. Esta síndrome é chamada de mittelschmerz, que significa dor no meio (do ciclo) em alemão.

Na prática, o modo mais simples para se identificar o período fértil é a dosagem do LH, uma vez que este se eleva 36 horas antes da ovulação. Já existem testes de urina, que podem ser adquiridos em farmácias, para detecção dos picos do LH pré-ovulatórios. É preciso salientar, porém, que existem falsos positivos.

Se você tem dificuldade em engravidar, o ideal é que este processo de acompanhamento da ovulação seja feito por um médico em uma consulta de infertilidade. Através da ultrassonografia o médico consegue visualizar diretamente os seus ovários e descobrir se há algum folículo maduro, pronto para romper-se e liberar um óvulo. O médico também pode estimular a ovulação com medicamentos, tornando o período fértil bastante previsível.

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Anemia e Miomas Uterinos

Dra Claudiani Branco Ginecologista fala sobre o risco do Mioma gerar anemia. Imagem: Cassi Josh no Unslpash.

O aumento do fluxo menstrual causado pela presença dos miomas uterinos pode levar ao desenvolvimento de quadros de anemia.

Essa condição caracteriza-se pelos baixos níveis de ferro no organismo que podem gerar complicações como, fraqueza, cansaço, tonturas, queda de cabelo e também prejudica a concentração e a memória.

Por isso, é fundamental acompanhar os níveis de ferritina no sangue. Tais marcadores apontam a quantidade de ferro estocada pelo fígado e disponível para o corpo.

Caso seja diagnosticada carência dessa substância é imprescindível que profissionais da saúde investiguem as causas para impedir que a carência evolua para ausência desses marcadores.

Com o diagnóstico correto da anemia é possível orientar o tratamento adequado para o problema.

Atenção especial deve ser dada à alimentação durante o tratamento da anemia causada pelos miomas. Vegetais e frutas, como espinafre, couve, rúcula, brócolis, laranja e limão são ótimas opções para casos de carência de ferritina.

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Dispareunia e Fisioterapia

Dra Claudiani Branco Ginecologista fala sobre a Dispareunia causada pela Endometriose. Imagem: Keenan Constance no Unsplash.

A dispareunia, caracterizada pela dor durante o contato íntimo, é um desdobramento muito comum das disfunções osteomusculares em função da endometriose. 

endometriose é uma doença difícil de ser diagnosticada. Estimativas apontam que transcorrem cerca de 10 anos entre o início dos sintomas, o diagnóstico correto e, finalmente, o tratamento.

Durante todo esse tempo, a paciente convive com dores severas sem diagnóstico, o que muitas vezes resulta em complicações secundárias como as disfunções psicológicas e musculoesqueléticas.

As alterações ósseas, musculares e articulares representam agravamento e perpetuação dos sintomas da dor. 

Problemas com a musculatura do períneo ou nas articulações sacro-ilíacas e seus respectivos ligamentos também prejudicam as pacientes em sua vida sexual, afinal tais disfunções podem irradiar dores para o períneo ou vagina.

Inclusive, a adoção da postura antálgica (realizada por indivíduos no intuito de evitar ou diminuir a dor) por longos períodos de tempo também podem ocorrer junto com os sintomas citados acima.

O desequilíbrio da musculatura é capaz de aplicar força de alongamento constante sobre os músculos do assoalho pélvico que, por sua vez, pode causar a flacidez desses grupos musculares e intensificar quadros de dispareunia mesmo durante ou depois dos tratamentos da doença.

A fisiologia pélvica é comprometida pelas tentativas instintivas de ajustar o corpo para evitar a dor. Quadris, membros inferiores e a própria pelve, quando desalinhadas, causam danos fisiológicos e disfunções dos músculos do assoalho pélvico.

A Dispareunia

A dispareunia pode ser dividida em dois tipos: dispareunia superficial e a dispareunia profunda. Em alguns casos, pode ocorrer também a dispareunia tardia, que acontece depois das relações sexuais.

Em pacientes com endometriose, principalmente profunda, identificamos geralmente a dispareunia de profundidade. Ela é resultado da inflamação e distensão dos tecidos da pelve que podem causar útero em retroversão fixa, pressão sobre os ovários ou prejuízos aos ligamentos uterossacros e da região retrocervical.

Por causa da dispareunia, muitas pacientes têm sua satisfação sexual prejudicada ou mesmo optam pela abstinência das relações sexuais.

O Tratamento da Dispareunia

Fisioterapeutas especializados em saúde feminina podem indicar diferentes métodos de tratamento para as pacientes com disfunções nos músculos do assoalho pélvico e com alterações posturais desencadeadas pela endometriose e pela dor pélvica crônica.

O objetivo do tratamento é normalizar o tônus muscular, aumentar a consciência corporal e propriocepção da musculatura pélvica, diminuir os pontos de dor na vagina e melhorar o padrão postural das pacientes.

A liberação miofacial é um dos métodos terapêuticos mais utilizados pois possibilita a liberação das camadas profundas das fáscias, o que favorece a troca de viscosidade das camadas miofasciais de um músculo para o outro, bem como a composição das interligações fibrosas das regiões afetadas.

Com o acompanhamento correto é possível tonificar os músculos e dessensibilizar os pontos de dor que causam a dispareunia e tantas outras disfunções musculoesqueléticas.

Assim sendo, reduzir os quadros dolorosos e possibilitar melhorias significativas na qualidade de vida das pacientes é possível com o auxílio de fisioterapeutas capacitados.

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Sangramento Excessivo e Miomas Uterinos

Dra Claudiani Branco Ginecologista fala sobre o sangramento excessivo causado pelo mioma uterino. Imagem: Nadezhda Morya no Pexels.

É considerável o número de mulheres que nem sabem que possuem miomas uterinos. Esses tumores benignos têm origem durante a idade reprodutiva e podem aumentar em tamanho ou quantidade com o passar do tempo.

Ainda não existem maneiras cientificamente comprovadas de evitar o desenvolvimento dos miomas. Todavia, pesquisas apontam que mulheres obesas possuem mais chances de serem acometidas por esse tipo de lesão uterina.

Existem outros fatores que favorecem o desenvolvimento dos miomas. A saber:

  • histórico familiar (mais risco para parentes de primeiro grau);
  • nuliparidade (quem ainda não teve nenhum filho);
  • menarca precoce;
  • cor da pele negra.

Outra peculiaridade dos miomas é que muitas vezes eles são assintomáticos, o que dificulta um diagnóstico precoce. 

Porém, quando os sintomas se manifestam, o mais comum deles é o sangramento excessivo durante a menstruação, seguido pela dor pélvica, cólicas menstruais, dor nas relações íntimas ou ao evacuar. Em alguns casos o mioma também pode causar infertilidade.

Diagnóstico e Tratamento.

O diagnóstico dos miomas geralmente é realizado por meio de exames ginecológicos e confirmados com auxílio de ultrassom.

O tratamento, por sua vez, costuma ser cirúrgico. O procedimento pode ser feito para retirar apenas o mioma (miomectomia) ou, em casos extremos, o útero (histerectomia).

Anos atrás esse tipo de cirurgia era realizada por laparotomia, técnica em que o abdômen é aberto com um corte semelhante ao utilizado em cesáreas.

Nos dias de hoje existem outras possibilidades de cirurgias minimamente invasivas. Quando as características do caso permitem e há disponibilidade de recursos, a cirurgia laparoscópica pode ser indicada.

Nesse tipo de procedimento, uma micro-câmera é introduzida junto aos equipamentos cirúrgicos, através de pequenas incisões. A histeroscopia segue o mesmo preceito minimamente invasivo, porém é indicada quando a lesão cresce para dentro da cavidade uterina.

Essas técnicas mais recentes apresentam as vantagens de um pós-operatório menos incômodo e uma recuperação mais rápida.

Outra possibilidade que a medicina moderna oferece é a embolização dos miomas. Entretanto, esse tipo de procedimento é indicado apenas quando existem dificuldades consideráveis ou mesmo a impossibilidade de acessar as lesões com as outras técnicas minimamente invasivas supracitadas.

Quanto aos sangramentos excessivos, existem alguns medicamentos capazes de diminuir o fluxo da menstruação, mas são difíceis de serem encontrados no Brasil e não representam um tratamento para a cura. O objetivo único é controlar o sangramento, mas seu uso pode fazer com que a cirurgia seja descartada.

Procure seu médico de confiança caso perceba um fluxo intenso na menstruação ou qualquer outra manifestação anormal em seu organismo.

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Vulvodínia

A vulvodínia, também conhecida como vestibulite vulvar, é uma situação caracterizada pela dor e/ou desconforto crônico na região da vulva da mulher e que dura pelo menos três meses. Além disso, é comum que na vulvodínia a mulher apresente vermelhidão e sensação de picada na região genital, o que pode fazer com que seja confundida com outras situações como dermatose e infecções na região genital, por exemplo.

A vulvodínia é uma situação bastante desconfortável para a mulher e a dor pode durar horas ou dias após a relação sexual. Por isso, é importante que a mulher consulte o ginecologista para que seja feita uma avaliação e possa ser indicado o tratamento mais adequado para aliviar os sintomas e melhorar a qualidade de vida.

Dra Claudiani Branco para sobre os cuidados e tratamento para a Vulvodinia, também chamada vestibulite vulvar.

Sintomas de vulvodínia

Os sintomas de vulvodínia normalmente estão presentes por mais de três meses e podem ser constantes ou não. Normalmente a dor e o desconforto são mais intensos após a relação sexual, podendo durar horas ou dias após a relação e podendo dificultar a realização de atividades diárias básicas, como sentar, por exemplo. Os principais sintomas de vulvodínia são:

  • Dor ao toque e irritação na região da vulva;
  • Vermelhidão e sensação de picada na região genital;
  • Sensibilidade aumentada;
  • Sensação de picada e queimação na região da vulva;
  • Dificuldade para inserir tampões ou aplicadores vaginais;
  • Dor durante a relação sexual.

É importante que na presença desses sintomas a mulher consulte o ginecologista, que irá realizar exames de observação e toque, para identificar os pontos de sensibilidade ou dor.

Além disso, são normalmente indicados exames que ajudem a descartar outras situações como infecção genital, dermatose, neoplasia na região genital e alterações neurológicas, e, assim, confirmar o diagnóstico de vulvodínia e indicar o tratamento mais adequado.

Possíveis causas

As causas da vulvodínia ainda não são totalmente esclarecidas, no entanto acredita-se que pode acontecer devido a uma combinação de fatores, como por exemplo:

  • Dor neuropática;
  • Fatores genéticos;
  • Problemas ou disfunções no assoalho pélvico;
  • Alterações hormonais;
  • Alterações nas vias nervosas.

Além disso, o surgimento desta doença encontra-se também associado a outros fatores que incluem fibromialgia, síndrome do intestino irritável, estresse pós-traumático, depressão, enxaqueca ou candidíase recorrente.

Como é feito o tratamento

O tratamento para a vulvodínia pode variar de acordo com a intensidade dos sintomas apresentados pela mulher e tem como objetivo aliviar os sintomas e promover a qualidade de vida, uma vez que não tem cura.

Assim, o tratamento pode envolver o uso de remédios com estrogênio, que podem ajudar no alívio dos sintomas, antidepressivos ou antiepilépticos que ajudam a relaxar a musculatura da região. Além disso, o médico pode indicar o uso de lubrificantes e anestésicos tópicos, como o gel de lidocaína, por exemplo, antes e durante a relação sexual, além de também poder ser aplicado nos dias em que a dor é mais intensa.

Nos casos mais graves, em que não há melhora dos sintomas com o uso de remédios, pode ser recomendada a realização de uma cirurgia chamada vestibulectomia. Além disso, os cuidados diários com a região genital também são muito importantes, especialmente os cuidados com a pele e higiene da vulva, uma vez que a utilização de produtos agressivos ou irritantes podem agravar os sintomas.

O tratamento também pode ser complementado através da realização de fisioterapia ginecológica com aparelhos como TENS para diminuir a dor e exercícios que fortaleçam o assoalho pélvico, como exercícios de Kegel, pompoarismo ou com cones vaginais.

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APARELHO GENITAL FEMININO

O aparelho genital feminino é formado pelos órgãos genitais internos e externos. Os órgãos internos são: vagina, ovários, trompas de Falópio(ou tubas) e útero.

Dra Claudiani fala sobre o aparelho genital feminino

Os órgãos externos são: monte de Vênus (monte púbico) e vulva, que engloba os grandes lábios, os pequenos lábios e o clitóris.

O sistema reprodutor feminino, além de produzir os hormônios sexuais e óvulos, é onde se dá a fecundação. É no seu interior que o feto se desenvolve por nove meses.

A vagina é um espaço tubular fibromuscular, recoberto por uma mucosa pregueada, com aproximadamente 10 centímetros de comprimento. Ela que faz a comunicação entre a vulva e o útero. Sua função é dar saída ao fluxo menstrual, receber o pênis durante a relação sexual e formar o canal do parto. Devido a essa última função, a vagina possui grande elasticidade.

Os ovários são as gônadas femininas, e produzem os hormônios femininos (estrogênio e progesterona). São pequenas estruturas ancoradas por ligamentos como mesovário e o ligamento útero-ovárico. É neles que o óvulo se desenvolve.

Dra Claudiani fala sobre o aparelho genital feminino

O útero é um órgão oco, com paredes musculares espessas. Serve como caminho para os espermatozoides chegarem à tuba uterina para a fertilização e também abriga o feto durante o seu desenvolvimento. O seu volume pode chegar até cinco litros. Em seu interior, na parte superior, encontra-se o colo do útero. É ligado às tubas uterinas ou Trompas de Falópio.

Trompas de Falópio são tubas compostas por um canal, com forma de funil, recoberto em sua extremidade por franjas, as fímbrias, por uma ampola e por um istmo.

Dra Claudiani fala sobre o aparelho genital feminino

Fazendo parte dos genitais externos, está o monte de Vênus, ou monte púbico, uma elevação de tecido adiposo, recoberto por pelos, que protege a superfície ósseo-cartilaginosa.

Os grandes lábios são dobras constituídas de pele e tecido adiposo, recobertas por pelos. Os pequenos lábios são tecidos sem gordura. Na parte superior dos pequenos lábios encontra-se o clitóris, uma massa de tecido erétil de aproximadamente 2 cm de comprimento. O clitóris tem a função exclusiva de proporcionar prazer sexual.

Entre os pequenos lábios fica a abertura da vagina, que é recoberta por uma fina membrana altamente vascularizada chamada de hímen. É importante perceber que o hímen não “fecha” o canal: ele está presente ao redor do orifício. As mulheres que nascem com o canal obstruído por esse tecido precisam passar por cirurgia corretora, para que o fluxo menstrual possa ser eliminado do organismo. O hímen não necessariamente ainda estará presente na primeira relação sexual, pois pode desaparecer bem antes da puberdade, em atividades como abrir as pernas na ginástica, andar de bicicleta, masturbação, entre outros. Outro mito sobre o hímen é que ele será rompido na primeira relação: em muitas mulheres, a penetração vaginal não leva ao rompimento do hímen e ao sangramento, especialmente se for feita com delicadeza.